A luta pelo fim da desumana escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho sem redução de salários está em alta e cresce na mesma medida em que avança no Congresso Nacional o debate e a tramitação de projetos que contemplam este anseio da classe trabalhadora brasileira.
O noticiário da grande mídia, nesta quinta-feira (9), concede um controvertido destaque a uma previsão alarmista da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre os impactos da redução da jornada na economia.
Na opinião da confederação, que representa os donos do capital no setor, a redução da jornada (sem redução de salários) pode provocar queda no PIB, alta generalizada nos preços das mercadorias e desindustrialização.
Embora apresentada como resultado de um levantamento digno de crédito, a previsão patronal não só carece de fundamento científico como também contraria a previsão de muitos pesquisadores sérios e a experiência histórica.
A Islândia é um bom exemplo a esse respeito, mas não é o único.Os resultados objetivos da redução da jornada de trabalho para quatro dias naquele país (escala 4x3) confirmaram um aumento tanto na produtividade quanto no bem-estar dos trabalhadores, que andam de mãos dadas e impulsionaram a economia.
Estudos publicados em outubro de 2024, após anos de testes (2015–2019) e ampla adoção (hoje abrangendo cerca de 90% da classe trabalhadora), demonstraram que a economia islandesa cresceu mais do que a de maioria dos pares europeus após a mudança.
A redução das horas de trabalho não diminuiu a produção, ou seja, não provocou queda do PIB. Pelo contrário, em muitos setores a produtividade aumentou, pois os funcionários se tornaram mais focados e eficientes com mais tempo de descanso.
A economia da Islândia mostrou forte desempenho, com um crescimento robusto do PIB em 2023/2024, superando temores de que menos horas de trabalho prejudicariam a economia.Melhora no bem‑estar: 90% dos trabalhadores relataram menos estresse, menos burnout e melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
A mudança resultou em semanas de trabalho de 35 a 36 horas (sem redução salarial). Com mais tempo livre, houve uma melhor divisão das tarefas domésticas, contribuindo para a igualdade de gênero.
O sucesso islandês está servindo de modelo para outros países europeus e desafiando o pensamento tradicional, essencialmente reacionário, de que mais horas de trabalho equivalem a maior produção.
O terrorismo promovido pelos donos do capital, com base em fake news, não é novidade. Usaram o mesmo sórdido argumento, com a cumplicidade da mesma mídia burguesa, contra o 13º salário, o descanso semanal remunerado, férias e outros direitos conquistados com muita luta pela classe trabalhadora.
As previsões da CNI são falsas e tendenciosas, mas ganharam destaque na grande mídia. Do outro lado da arena, a classe trabalhadora e seus aliados não devem subestimar o poder do lobby acionado pelos donos do capital, que têm notória influência sobre os parlamentares em função da lógica de financiamento das campanhas e outros fatores.
O objetivo imediato do patronato é evitar o debate e adiar (mais tarde congelar) a apreciação e votação do tema pelo Parlamento, que foi prometida para o primeiro semestre deste ano.
