Esta sexta-feira, 20 de março, está sendo agitada por manifestações populares em diversas cidades e regiões do país. É o Dia de Mobilização Nacional pelo fim da desumana escala 6x1 e em defesa da redução da jornada de trabalho sem redução de salários. A atividade, que inclui panfletagens, faixas e ações de ruas simbólicas em diversas cidades do país, está sendo promovida pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, pelo Fórum das Centrais Sindicais e pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT).
A mobilização foi definida em uma plenária dos movimentos na última terça-feira (17), como o início de Jornada de Lutas permanente em torno dessas pautas, configurando uma campanha nacional em defesa do fim da escala 6x1 e a redução da jornada que vem ganhando força na sociedade. A proposta conta com apoio do governo Lula e pode ser votada no Congresso Nacional ainda neste primeiro semestre, embora líderes da extrema direita estejam empenhados em sabotar e impedir a votação do tema.
De acordo com recente pesquisa do Datafolha, divulgada domingo (15), 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1, índice que representa crescimento em relação ao final de 2024. O percentual sobe a 82% entre os mais jovens, de 16 a 40 anos, o que reflete o anseio de dezenas de milhões de trabalhadores e trabalhadoras extenuados pela escala exaustiva que permite apenas um dia de descanso por semana.
Estatísticas do IBGE indicam que 33 milhões de assalariados e assalariadas brasileiras estão submetidos à escala 6x1, sendo que a mulher trabalhadora é quem mais sofre, pois no mais das vezes é constrangida a realizar uma dupla jornada de trabalho para dar conta das tarefas e cuidados domésticos.
Por tal razão, a luta por pelo menos dois dias de descanso remunerado por semana foi uma das principais bandeiras do 8 de Março (Dia Internacional da Mulher), ao lado da denúncia e condenação do feminicídio.
Agenda dos movimentos sociais
A jornada de lutas também integra a construção da Marcha da Classe Trabalhadora no dia 15 de abril, em Brasília, e também se articula com as mobilizações do 1º de Maio.
A marcha terá como principais bandeiras a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, reforçando a pressão social para que as propostas avancem no Congresso Nacional.
Plenária de organização
O encontro foi convocado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, além do Fórum das Centrais Sindicais e do Movimento VAT.
Durante o encontro, as organizações destacaram a importância da unidade nacional e da articulação nos estados para fortalecer a mobilização e ampliar o diálogo com a população.
A redução da jornada de 44 para 36 horas poderá criar até 4,5 milhões de empregos e aumentar a produtividade em cerca de 4%, o que contradiz os críticos da proposta, segundo pesquisa do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit), do Instituto de Economia da Unicamp.
O estudo, realizado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores do país cumprem jornada superior às 44 horas semanais previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Jornada exaustiva
A pesquisa Datafolha revelou ainda que 76,3% das pessoas ocupadas no Brasil têm jornadas superiores a 40 horas semanais, sendo que 58,7% dos empregados trabalham entre 40 e 44 horas por semana.
Para a economista Marilane Teixeira, esses dados indicam que o brasileiro está entre os que mais trabalham no mundo e que a redução da jornada pode ter efeitos positivos para o conjunto da economia.
